Formação Psicanalítica

Os senhores sabem que nunca nos orgulhamos da completude e 

do fechamento do nosso saber e de nossas habilidades; 

estamos dispostos, tanto antes quanto agora, 

a admitir a incompletude do nosso conhecimento, 

a aprender coisas novas e mudar em nosso procedimento 

aquilo que pode ser substituído por algo melhor. 

Freud (1919/2017, p. 191).

O modelo de formação do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais se sustenta na tríplice articulação proposta por Freud, a saber: a análise pessoal, episteme e supervisão, e ocorre de maneira sistemática e permanente. Agregamos um quarto elemento ao tripé freudiano que, a nosso ver, propicia o enodamento desses três elementos. Trata-se do laço coletivo na transferência de trabalho entre candidatos e sócios com a psicanálise, e com instituição, a partir da posição de analisantes. Ressalta-se que a experiência de uma análise é uma necessidade e o centro de gravidade da formação psicanalítica, como demonstrou Freud (1926/2017, p. 223): “Mas agora exigimos também que todo aquele que queira aplicar a análise em outras pessoas primeiro se submeta ele próprio a uma análise”.

O fato da formação ser sistemática não se opõe ao fato de ser descontinua. É necessário haver uma sequência para que haja uma descontinuidade, assim como para existir uma surpresa. Supõe-se que ao percorrer o circuito mais de uma vez, como ao repetir um mesmo seminário ou leituras de textos, os sujeitos atravessam mutações subjetivas de maneira singular. Há um hiato entre uma formação e o psicanalista por advir no seu próprio processo formativo; há uma brecha entre o que se pode dirigir a todos e o que repercute no percurso de cada um. Retomamos Freud (1914/2013, p. 17) quando diz: “O progresso do conhecimento, entretanto, não tolera nenhuma rigidez nas definições. Como nos ensina de modo brilhante o exemplo da Física, também os conceitos fundamentais firmemente estabelecidos passam por uma constante modificação de conteúdo.”

O paradoxo na formação de analistas consiste em se fazer permanente e, ao mesmo tempo de modo descontínuo, isso se pode apreender em rupturas pelo encontro com a falha em saber, seja nas leituras e produções escritas, nas insígnias que se precipitam nos espaços de apresentação, nas supervisões, nos desafios da prática clínica enquanto laboratório, nos reencontros com alguns outros ou na própria experiência de análise. Esses momentos contingenciais podem precipitar cortes subjetivos recolhidos também na experiência da instituição, enquanto efeitos de formação em psicanálise: permanente, descontínua e não sem análise. Por fim, sobre o psicanalista encontramos em Lacan (1953): a psicanálise é o tratamento que se espera do psicanalista.

[…] os precipitados psíquicos daqueles tempos primevos haviam se tornado herança, necessitando apenas ser despertados, não adquiridos a cada nova geração.

Círculo Psicanalítico de Minas Gerais: transmissão e formação permanente em Psicanálise.

O Círculo Psicanalítico, fundado em 1963, está filiado ao Círculo Brasileiro de Psicanálise (CBP) e vinculado no âmbito internacional a International Federation of Psychoanalytic Societes (IFPS).